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Para refletir. . .


A origem do poder



Uma das características mais marcantes da realidade social é o fenômeno do poder. Nas palavras do economista John Kenneth Galbraith,

"O exercício do poder, a submissão de um ser humano à vontade de outro ser humano, é inevitável na sociedade moderna; nada em absoluto, se realiza sem isso. . . O poder pode ser maligno do ponto de vista social; mas, do mesmo ponto de vista, também é essencial"

O papel essencial do poder na organização social está ligado aos inevitáveis conflitos de interesses. Em virtude da nossa capacidade de afirmar nossas preferências e determinar por elas as nossas escolhas, os conflitos de interesses surgem inevitavelmente em qualquer comunidade humana; e o poder é o meio pelo qual esses interesses são resolvidos.

Isso não implica necessariamente o uso de ameaças e de violência. Em seu ensaio, muito lúcido, Galbraith distingue três espécies de poder, diferenciando-as segundo os meios pelos quais o poder se exerce. O poder coercivo ou coativo garante a submissão pela imposição de sanções, efetivas ou só enquanto ameaças; o poder compensatório, pelo oferecimento de incentivos ou recompensas; e o poder condicionado, pela mudança de crenças mediante a persuasão ou a educação. A arte da política está em encontrar a medida certa de cada um desses três tipos de poder em vista de resolver conflitos e promover o equilíbrio entre os intereses opostos.

[Fritjof Capra, Conexões Ocultas]

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