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Quem nos salvará e do que?

Olá a Todos!

A vida em comunidade é algo interessante, nosso senso de espécie é algo que nos conforta em certos momentos. Afinal, o que sobrará de cada um de nós? Onde nossos feitos serão lembrados senão no meio de nossos semelhantes? O que motiva casais a terem filhos, apesar de todas as adversidades, a não ser a sensação de continuidade de suas características através da propagação de seus genes?

No entando, olhando para o futuro (se é que ele existe!), a humanidade, na forma que se manifesta hoje, "está com os dias contatos."
Trágico? Nem um pouco, apenas algo normal. Algo já reconhecido pelo conhecimento atual.
Na melhor das hipóteses, com o final do ciclo atual do sol, mais alguns bilhões de anos, o planeta será aquecido de forma digamos, mortal.

Apesar de o homem se dizer racional, seu comportamento está alicerdado em crenças. Mesmo o positivistas são seguidores de uma "fé". Em torno desta se molda o mundo. É o que chamamos de paradigma pessoal, ou idiosincrasias. Mesmo na pretensa visão científica, não existe consenso absoluto. Existem fatos reconhecidos e versões da realidade.

Considerando nossa continuidade como espécie, inconscientemente depositamos esperanças de que algum dia algo nos salve. Se não fosse assim, todos estaríamos mais envolvidos ou atuantes em questões mais urgentes. Por exemplo, ninguém nasceu de carro, mas quem tem coragem de deixar o seu em casa? Delegamos responsabilidades, nos irresponsabilizamos por aquilo que não nos interessa. A ciência, algum dia, vai encontrar as devidas soluções. É confortante pensar assim.

A questão que estou propondo é que, de uma forma ou de outra, esperamos pela salvação. Talvez este seja um desejo ou destino gravado no inconsciente coletivo. Considerando que dos 6 bilhões de habitantes do planeta, mais de dois terços, com certeza, está filiada a alguma grande religião, esta hipótese não é totalmente absurda. A maioria das religiões abordam o tema da "salvação." Hoje, depois de indas e vindas me pergunto, salvar-se de que?

Todas as formas são impermanentes. . .

Durante um sonho, uma situação incomoda aconteceu. Estava eu em um pais estranho, desembarcando em um aeroporto. Ninguém falava minha lingua, de repente noto que minha bolsa, com todos os documentos, havia se extraviado ou sido roubada. Sensação angustiante, mesmo em um sonho. Quanto mais me identificava, mais me deseparava, mais ficava com raiva. . . No entanto, no fundo de minha mente, algo me lembrou de que aquilo era um sonho. Sabendo disso fiquei mais tranquilo. E a angustia e desespero se acabaram, juntamente com o sonho. Despertei!




MVF


Vale do São Francisco, 07/11/2009

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